Eu nasci assim, desprendida de qualquer coisa, sem nenhum conceito, apenas com vida, ou melhor, respirando. Ninguém me perguntou se eu estava prepara e eu também não tinha como dizer: " Me deixem aqui, é tão mais seguro seus idiotas!" malditos médicos!
Saí de lá sem nenhuma pretensão, sem esperar nada de ninguém, sem querer ser ninguém, sem morrer por ninguém. Se eu pudesse escolher ficaria lá, pelo menos mais uns nove meses, mas não. Escolheram que eu fosse livre, que eu saísse do local mais quente e seguro que já estive, sinto que é.
Me colocaram no mundo e me deixaram lá. Tentaram me guiar, me dizer o que fazer, me reprimir, me sufocar, me deixar viver, me amedrontar. Fizeram com que eu sentísse sensações inimagináveis e cá estou eu, me sentindo livre. Não por ser, mas por tentar ter essa liberdade, essa leveza de espírito. Eu sou livre, eu sou leve, eu sou breve, muito breve.
Sei que meu único rodeio é tentar te convencer do contrário, que sou presa, que vivo presa ao mundo em que criei, que quero permanecer nele, mesmo tentando fugir a todo instante dessa bolha característa de uma personalidade inconstante.
Sou Livre, vivo minha vida, por mais prisioneira que seja. Eu respiro! Eu vivo, tenho coragem e sei que nunca vou perdê-la. E se um dia, quem me colocou pra fora naquela manhã do dia 26 me cobrar algo, exigir de mim além do que posso, além do que sou, saberei dizer: "Obrigada por me deixar voar e não me prenda em sua gaiola e por mais que finja não prender, eu nasci para ser livre."
Bárbara Flores