Bianca Teixeira

Jornalismo é a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. (Cláudio Abramo)

Bianca Teixeira

Jornalismo é a prática diária da inteligência e o exercício cotidiano do caráter. (Cláudio Abramo)
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Terra Blog

25.11.08

Caviar com Rapadura

“Têm certos dias em que eu penso em minha gente, e sinto assim todo o meu peito se apertar, porque parece que acontece de repente...”
E de repente não muito distante... países brigam para achar o(s) culpado(s) pelos altos preços dos alimentos que estão gerando uma crise alimentar. Um joga a culpa no outro. “É a culpa do Etanol” grita um representante sentado lá atrás. “Não! A culpa é do petróleo!” rebate o senhor do outro lado. Aí começa a discussão.
Enquanto isso, no nordeste brasileiro crianças morrem desnutridas, com fome. No Piauí de cada 100 crianças que nascem 78 morrem antes de completar oito anos de idade. De cada mil crianças nordestinas nascidas vivas, 20 morrem no primeiro ano de vida, e 50% dessas crianças morrem ainda no primeiro dia de vida. Essas estatísticas se traduzem em outro dado: a mortalidade infantil no Norte e Nordeste é o dobro da mortalidade no Sul do país.
E no calor, não da temperatura que mata do outro lado mundo, no calor da discussão, autoridades políticas que dizem representar nações desenvolvidas buscam um culpado, quando na realidade todos são. É por isso que o mundo não vai pra frente.
São dados como esses: “Todos os anos 11 milhões de bebês morrem de causas diversas. É um número escandaloso, mas que vem caindo desde 1980, quando as mortes somavam 15 milhões”, que mancham a história que o homem vem escrevendo.
Numa Conferência que aconteceu essa semana em Roma, membros da ONU e representantes de países, falaram que essa crise na alimentação pode afetar a paz mundial. Como eles ainda esperam que haja paz no mundo com as pessoas passando fome, necessidades, vendo crianças chorarem por não terem um grão para enganar a fome? Essa paz é ilusória! Ela não vai vim com os alimentos, ela só vai vim com a consciência de cada um.
Os indicadores de mortalidade infantil falam por si, mas o caminho para se atingir o objetivo dependerá de muitos e variados meios, recursos, políticas e programas, dirigidos não só às crianças, mas a suas famílias e comunidades também.
E no meio disso tudo, brasileiros, americanos, europeus, japoneses, africanos, nós, mundanos, esperamos que essa gente um dia consiga viver com dignidade.

 

Bianca Teixeira

  • criado por  Bianca Teixeira criado por Bianca Teixeira
  • Postado em 21:08:38

04.11.08

Com quantos brasis se faz um Brasil?

Afinal de contas, o que é o Brasil? A sociedade brasileira não pode ser entendida de modo unitário, na base de uma só causa ou de um só principio social. Para compreender é preciso estabelecer uma distinção radical entre um “brasil” e o “Brasil”. O escrito com minúscula é nome de um tipo de madeira de lei ou de uma feitoria, um conjunto de raças, que, misturadas ao sabor de uma natureza exuberante e um clima tropical, estariam fadadas à degeneração e à morte. Já com “B” maiúsculo resepresenta o país, a cultura e o local geográfico. O território de reconhecimento internacional. Brasil que é também lar, memória e consciência de um lugar com o qual se tem uma ligação especial, única e, muitas vezes, sagrada.
O melhor modo de interpretá-lo seria destacando esferas, domínios e espaços sociais demarcadores de sua sociabilidade. Não se pode compreender o Brasil apenas pela casa-grande ou pela vida em família, como ele também não pode ser lido apenas pelo universo da economia, das leis e do seu mundo público em geral.
O povo brasileiro, marcado pela hierarquia e habituado a lidar com verticalidades, reconhece a existência de modos fortes e fracos de comunicação com os outros mundos, principalmente, os de esferas espirituais.
A ligação religiosa do nosso país é uma linguagem de relação. Uma espécia de idioma que busca o meio termo, o meio-caminho, a possibilidade de salvar todo o mundo, e em todos os lugares, encontrar alguma coisa boa e digna.
Idioma demarcados por igrejas, capelas, terreiros, centros espíritas, sinagogas, caboclos e entidades amazônicas e tudo aquilo que pertence e sinaliza as fronteiras entre o mundo em que vivemos e plano superior do qual acreditamos. O universo é habitado por mortos, fantasmas, almas, santos, anjos, orixás, deuses, Deus, a Virgem Maria e Jesus Cristo, para onde todos vão e de onde ninguém retorna... ou pelo menos não com facilidade.
Visto deste modo, o Brasil é conhecido e misterioso, tal como ocorre com as almas do outro mundo. Os deuses que estão em todos os lugares, embora poderosos, precisam da crença dos homens para que possam ser superiores e onipotentes.
No fundo, trata-se de muitos “Brasis”. Tanto os que se definem pelas instituições formais, quanto ao país do “jeitinho”, da comida, religião, das relações étnicas, da mulher, do futebol, da caipirinha, do samba.
Tom Jobim dizia, com justa razão, que o “Brasil não era para principiantes”. Os ingênuos acham que ele pode ser reduzido a apenas uma de suas dimensões quando, de fato, nossa sociedade é muito mais complexa, requerendo uma orquestração de muitos domínios para ser mais bem entendida.











  • criado por  Bianca Teixeira criado por Bianca Teixeira
  • Postado em 11:01:08

06.10.08

Falcão não dorme, descansa.

 

 

 

 

 

 

As armas são de brinquedos. A maconha é de eucalipto. O pó, de algum bagulho parecido com talco. A brincadeira das crianças das favelas é baseada no mundo que elas vêem todos os dias: o tráfico. “Pó de dez, pó de dez”, eles anunciam na boca de fumo de mentirinha. Tem a turma do arrego, que recebe o suborno para não denunciar nem prender o bando de traficantes fictícios. Logo depois, eles capturam o X-9, que entregou os amigos para a quadrilha rival. O vacilão está pronto para ser executado, quando a turma de garotos, de 11 a 14 anos, ouve a rajada de tiros ali do lado. Agora não era de brincadeira, a execução era real.
O tráfico de drogas possui influência nas favelas e, conseqüentemente, na vida dos jovens e crianças que convivem nesse ambiente hostil.
Entre 1998 e 2006, o rap brasileiro MV Bill e seu empresário Celso Athayde em parceria com o Centro Audiovisual da Central Única das Favelas (CUF) realizou uma pesquisa nas favelas brasileiras a fim de buscar dados e depoimentos sobre adolescentes menores de 18 anos, que tiveram suas identidades preservadas, que se inserem no tráfico cada vez mais cedo.
O perfil dos jovens desse mundo é quase, que em sua maioria, unânime. São meninos que trabalham com o intuito de ajudar a mãe que foi abandonada pelo companheiro. Facilidade de conseguir dinheiro para comprar roupas de grifes, sustentar o próprio vício, freqüentar bailes funks ou até mesmo o fascínio pelas armas de fogo são outros fatores apontados para a entrada no tráfico. Segundo os entrevistados, as armas dão prestígio, já que dessa forma são respeitados e ao mesmo tempo se sentem protegidos. Para eles, é um instrumento de poder portar um fuzil ou uma pistola. Há toda uma organização que ronda a distribuição da carga.
O tráfico organizado começa com a droga que vem de fora do país e vai direto para as favelas, onde é empacotada e pesada para a venda. Em seguida, o “vapor” (meninos responsáveis pela venda a varejo) segue para um lugar estratégico (boca de fumo) para esperar os “clientes”. Esse mercado dura o dia inteiro, mais precisamente na madrugada, quando a movimentação é menor. Para manter a segurança do comércio, o fiel (chefe do tráfico na favela) contrata os chamados: falcões.
O falcão é o jovem que vigia e toma conta da favela durante a noite toda. Mas se este dormir? A resposta vem no depoimento de um deles: “Sou usuário de cocaína e tenho de usar a cocaína para não dormir. Mas não sou viciado não. Se eu quiser falar assim pára, eu paro. Eu vou cheirar pra não vim algum amigo e me pegar dormindo na atividade pra ó... morrer”.
Quando há algo estranho nas favelas, presença de inimigos, que na gíria deles é conhecido como “alemão’’, ou presença de policiais é escutado o barulho de um foguete 12x1, que é lançado por um fogueteiro, com o objetivo de avisar os demais companheiros. Ao ouvir o estrondo pode ter a certeza que de que haverá uma guerra civil.
“Se acabar o crime, acaba a polícia”, dizem eles, fazendo alusão ao recebimento de propinas por parte de policiais. Segundo informações, o acordo com a polícia varia de 300 a 1.000 reais.
Tem traficante que não fuma, não cheira e nem bebe, e chegam a entender que não deveriam estar lá, no morro, culpam o governo pela má distribuição de renda e queriam saber para onde vai o dinheiro do Brasil. Alguns se questionam o pouco estudo e indagam o porquê de nunca terem tido acesso a uma escola, acham que são discriminados por isso e que seu único meio de sobreviver é a venda de drogas.
“Meu sonho é conhecer um circo”, diz um dos meninos. A realidade dessas crianças parte de pequenas perguntas que até tem respostas, mas são encobertas. São meninos e meninas que possuem sonhos, buscam divertimentos e que anseiam aquilo que todos, criança ou adulto, merecem ter para viver com dignidade: educação, saúde, emprego, alimentação e lazer.
O tráfico de drogas é um problema social que já faz parte da história do Brasil e, hoje em dia, de diversas famílias. Homens, mulheres, crianças que não fazem parte de estatística, talvez só façam quando morrem. Tudo o que estes brasileiros querem é oportunidade para mudar de vida.
Para Betinho, 23, ex-presidiário e traficante, o futuro de quem está nessa vida só pode ser de três maneiras: a morte, a cadeia ou uma cadeira de rodas. “A criminalidade não acabaria, mas melhoraria se o salário fosse digno”, completa.
Em apenas 3 meses, 14 garotos foram mortos nos tiroteios constantes da favela. Foram sonhos interrompidos para satisfazer uma necessidade: se sentir parte de uma sociedade. Eram crianças que tinham que sonhar acordadas, porque caso dormissem, não acordariam jamais. Como se diz no morro: lá o ritmo é chapa quente.






Bianca Teixeira

  • criado por  Bianca Teixeira criado por Bianca Teixeira
  • Postado em 12:55:45

02.09.08

Engraçado, apenas.

Ela é engraçada. Você leitor deste querido blog já deve ter feito esse comentário: a vida é engraçada!

Ela é sempre assim, cheia de surpresas, te guarda momentos que você nunca imagina, te põe dentro de cenas de novelas e filmes, você por muitas vezes se sente a estrela. Ai depois parece que ela lhe tira tudinho.

De um tempo pra cá venho sendo presenteada por essa tal de vida. Não vou dizer que só são presentes feios que não me agradam nem um pouco, eu até tenho recebido uns presentes bonitos, legais e que me fazem bem. E ah, claro, alguns presentes com alguns defeitinhos que parece que a espertinha da vida me deu sabendo que teria que endireitar depois de aberta.

Mas quem disse que eu me intimidei? Eu quero mais é ganhar presentes!

Pode me dar de todos os tamanhos, cores, formatos, com defeito ou perfeito, eu sempre vou dar meu jeito e tratar a embalagem com todo o carinho.

Nesses dezenove anos, acho que vale a pena parar um pouquinho agora e agradecer à vida pelos presentes e lembranças que ela vem me dando nesses anos todos. Sabia que são graças a eles que hoje sou acostumada com um monte de coisa, graças a eles que hoje sei lutar, brigar, rasgar e até embalar de novo se for preciso? Presente a gente não escolhe, aprende a gostar. E tenho certeza, que esses são os mais valorizados, já que eles partem do zero e atingem o máximo numa vida.

 Tudo isso é apenas engraçado.

 

 

Bianca Teixeira

  • criado por  Bianca Teixeira criado por Bianca Teixeira
  • Postado em 22:08:56

01.09.08

mas meu bem...

Nunca tive o costume de escrever posts românticos, muito menos falando sobre qualquer sentimento afetivo e emocional referente a alguém aqui no blog. Quem acompanha a curta trajetória do nosso humilde espaço de pensamentos, pode ver que eu sou a menos sentimental das duas. Mas, de vez em sempre eu sou surpreendida por um sequência de gestos que me deixam de queixo caído e coração mole e tais atitudes me fazem querer externar o que sinto em meio a tantas comprovações de amor e carinho.
Eu fiz aniversário, até aí nenhuma novidade, ok! Mas esse ano, achei que seria tudo muito diferente. Primeiro eu estava (como sempre) animadíssima com a chegada do dia 26 de agosto, mas aos poucos fui percebendo que ele seria um dia como outro qualquer e que na vida de muitas pessoas (inclusive algumas muito queridas) não fazia muita diferença ser o dia do meu nascimento ou não. Tá, eis que chega o dia e a crise vem junto. Chorei quase o dia inteiro, achando que ninguém gostava de mim e que todos não se importavam com os meus sentimentos, ok ok, pode parcer infantilidade, mas essa data pra mim é super importante! Fui pra Unama e nada havia mudado, combinei de encontrar com algumas pessoas que realmente mostravam total preocupação em me agradar e fazer com que o meu dia fosse ao menos interessante.
Estou na aula, diga-se de passagem a mais chata, fingindo estar concentrada, quando alguém bate na porta e a  professora chama meu nome e diz ter alguém com uma encomenda pra mim. Flores! Eram flores, pra quem me conhece sabe que fico toda derretida só com um botão de rosa que dirá com um buquê lindo, colorido e cheio de flores que aparentavam ser do campo. Nossa, eu fiquei toda boba! As flores vieram sem bilhete, mas já sabia de quem se tratava e mais uma vez, fui surpreendida com tamanho amor. Obrigada!
Ganhei meus presentes, todos lindos e perfeitos e terminei o dia como se ele tivesse sido o mais especial de toda a minha vida, pelo simples fato de ter começado no momento em que ganhei as flores mais lindas de toda a minha vida.
No mesmo dia, recebi um convite para um jantar que aconteceria dois dias depois, como não havia comido uma fatia de bolo sequer, aquele jantar poderia significar qualquer espécie de comemoração de aniversário.
Mesmo sem querer sair de casa, aceitei. Até que chego no local e percebo que lá havia uma festa surpresa feita pra mim. Pronto, morri 30 vezes e a cada minuto, a cada batida acelerada do meu coração eu podia ter a certeza de  que eu era a pessoa mais agraciada de todas por ter amigos e pessoa(s) tão especiais em minha vida!
Tudo isso, só me faz alimentar e fortalecer o sentimento que já existe dentro de mim há um certo tempo, só medeixa com  saudade desde o momento que eu me distancio de qualquer ligação física até meia hora depois em um encontro previamente agendado.
Eu não ligo para o que vão pensar dessa pseudocrônica escrita com a intensidade de quem vive feliz, mesmo aparentando viver estressadamente apaixonada. Juro, eu não ligo mesmo! Porque o meu sentimento me faz criar uma espécie de imunidade capaz de me tornar transparente, intensa, maluca!
É muito mais do que amor, é orgulho, afeto, cumplicidade, esperança de um futuro próximo, é zelo, força, cuidado, paz, vida. É contentar-se com um olhar e perceber que ele fará toda a diferença por muito tempo.
Obrigada!
  • criado por  Bianca Teixeira criado por Bianca Teixeira
  • Postado em 17:40:27